Tradição e Linha: Projeto "Colhendo Saberes" Fortalece a Identidade de Mulheres de Terreiro em João Pessoa

A preservação da memória e a autonomia econômica caminharam lado a lado na capital paraibana durante o último ano. O Instituto Omidewá, por meio do projeto Colhendo Saberes, encerrou com sucesso a Oficina de Noções de Corte e Costura de Indumentárias de Axé, uma iniciativa que mergulhou na estética e no sagrado das religiões de matriz africana.
Ao longo de 2025, o projeto focou na valorização da cultura dos povos de terreiro, utilizando a costura não apenas como técnica artesanal, mas como um veículo de resistência e manutenção de saberes ancestrais.
A Arte de Vestir o Sagrado
A condução das atividades ficou a cargo de Irís Barbosa, aprendiz em cultura popular e Yawo do Ilê Axé Opô Omidewá. Sob sua orientação, as participantes aprenderam as especificidades das vestimentas rituais — peças que exigem cortes, tecidos e acabamentos que respeitam preceitos religiosos e estéticos específicos de cada divindade e hierarquia dentro do terreiro.
"Costurar para o Axé é um ato de devoção. Cada prega e cada barra carregam uma história que não pode se perder", destaca a organização do projeto.

Fomento e Impacto Social
O público-alvo prioritário da oficina foram as mulheres de terreiro de João Pessoa. Além de promover a autoestima e a conexão com a própria cultura, a iniciativa abriu portas para a geração de renda extra dentro das comunidades religiosas, fortalecendo a rede de apoio entre mulheres pretas e periféricas.
O Legado do "Colhendo Saberes"
Com a conclusão do ciclo em 2025, o projeto deixa como legado um grupo de mulheres capacitadas para manter viva a tradição das indumentárias, garantindo que o "saber fazer" permaneça dentro dos muros do terreiro e se expanda como manifestação cultural reconhecida e valorizada.




